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APAMPESP - Associação de Professores Aposentados do Magistério Público do Estado de São Paulo

Palavra da Presidente – Dia da Consciência Negra

Por Walneide Romano, presidente da Apampesp

20 de novembro. Dia da Consciência Negra. Mais do que um feriado em muitas cidades, a data de hoje representa a importância de refletir sobre a posição dos negros na sociedade. É a luta dos negros contra a discriminação racial e a desigualdade social.

A data surgiu em 09/01/2003, através da Lei Federal nº 10.639, que instituiu o “Dia Nacional da Consciência Negra”. O ensino da Cultura afro-brasileira também passou a fazer parte do Currículo Escolar em todo o país.

Durante o mês de novembro, várias atividades e projetos são realizados em todo o Brasil para se comemorar a luta dos afrodescendentes. Os primeiros africanos trazidos para o Brasil como escravos chegaram aqui em 1532 e o fim do tráfico negreiro deu-se em 1850, com a Lei Eusébio de Queiroz.

Após a abolição formal da escravidão no dia 13 de maio de 1888, a busca pela igualdade por direitos dos negros jamais cessou. A discriminação sentida em todas as áreas tornou o negro excluído da sociedade, da educação e consequentemente do mercado de trabalho.

Através de muita luta o negro foi encontrando lugar nos esportes, nas artes, na música. Mas, infelizmente ainda falta acesso e representatividade nas universidades, na política, na igreja, no mundo empresarial, no agronegócio, entre tantos outros segmentos.

Zumbi dos Palmares, nascido livre, é o herói na luta contra a escravidão negra no Brasil. Lutou até a morte defendendo o seu povo. Da escravidão, Zumbi só conheceu as terríveis histórias que os mais velhos contavam. Lembravam a morte no porão dos navios, a escuridão das senzalas, o trabalho forçado e os castigos brutais sofridos.

O Quilombo dos Palmares situava-se numa longa faixa de terra de 200 km de largura, situada entre o Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, e a parte norte do curso superior do rio São Francisco, no estado de Alagoas. Possuía estrutura de poder, de administração e de trabalho próprios. Era um símbolo de resistência para os escravos e encarado como uma grande ameaça pelos colonizadores.

Numa das batalhas entre os colonos portugueses e o Quilombo, Zumbi foi morto. Seu corpo ficou exposto em praça pública para servir de exemplo para que ninguém tentasse ir contra os colonizadores.

A verdade é que o Dia da Consciência Negra é um manifesto de luta, de respeito e sobretudo, de humanidade. Historiadora, filósofa, professora da rede pública e doutora em antropologia política e social, Lélia Gonzales é certeira: “O 20 de novembro transformou-se num ato político de afirmação da história do povo negro, juntamente naquilo em que demonstrou sua capacidade de organização da proposta de uma sociedade alternativa. Na verdade, Palmares foi o autêntico berço da nacionalidade brasileira ao se constituir como efetiva democracia racial, o símbolo vivo da luta contra todas as formas de exploração”.

Professora Maria Walneide

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